quarta-feira, 20 de maio de 2009

Até que o futebol nos separe?

Já era tarde da noite, mas mesmo assim as duas amigas continuavam fofocando sobre a vida. Namorados, amigos que não vêem há algum tempo, família...as duas já estavam prontas para dormir, mas não tinham sono. A Tv ligada no jogo de futebol era um mero detalhe, afinal, com tantos assuntos interessantes, quem ia prestar atenção? Fora que a partida estava um tanto quanto morna. Nada acontecia de emocionante.
No auge da conversa, diria até que no clímax da história, ouve-se o som daquelas musiquinhas de amor, vindo do celular de Júlia. Ela atende seu namorado e ficam durante alguns minutos conversando. O papo meloso – natural de casais apaixonados – só é interrompido quando a menina grita goool. O namorado, que não é tão fã assim de futebol, leva um susto do outro lado da linha e reclama que Júlia não estava prestando atenção no que ele falava, e sim no jogo. A menina, apaixonada por futebol, desconversa tentando consertar a situação, já que realmente não prestara atenção em nenhuma palavra dita pelo namorado.
O assunto preferido pelos milhões de brasileiros era praticamente proibido nas conversas do casal. Rodrigo não aceitava o fato da namorada gostar de futebol e trabalhar com isso. Morria de ciúmes, pois Júlia era jornalista. Quando não estavam juntos, a menina se deliciava com as partidas e fazia com paixão suas crônicas e matérias. Naquela noite, assim como a fofoca, a conversa no telefone acabou de repente. Júlia desligou o celular, e percebendo que a amiga havia dormido, aumentou o volume da televisão e terminou de assistir o jogo. Pensou como era injusta a vida da mulher no meio esportivo. Já tinha perdido inúmeras chances de emprego por isso, e não achava justo ter que conviver também com o preconceito do próprio namorado. Por um instante quis escrever sobre aquela partida e ter, nem que fosse por um dia, o reconhecimento do seu trabalho por aquele que ela ama. Mas cansada, acabou adormecendo e acordou no dia seguinte pronta para mais uma batalha: ter que provar para o mundo que mulher entende e pode trabalhar com futebol.

sábado, 2 de maio de 2009

Só rindo para não chorar

Que a crise já chegou há muito tempo no Brasil todo mundo sabia - menos o nosso presidente -, mas até então não tinha influenciado muito no esporte nacional. No início do ano teve o caso do fim dos esportes amadores do Flamengo, mas para mim se tratou mais de incapacidade administrativa do que a crise propriamente dita. Se patrocinar projetos bons, sérios, já é difícil, imagina investir dinheiro e colocar sua marca em uma bagunça, como é o caso do clube rubro-negro.O fato é que nesses últimos tempos, li algumas notícias que me deixaram preocupada. César Cielo, nadador que ganhou o primeiro ouro olímpico da natação brasileira, está sem patrocínio; a equipe feminina de vôlei do Osasco - SP, com várias titulares da seleção brasileira no elenco, anunciou que a parceria com o banco Finasa havia acabado, e assim o time iria se desfazer também. Fora vários outros exemplos de falta de patrocínio ao esporte amador do país. No caso da equipe de vôlei, a prefeitura conseguiu o apoio de outros investidores, “salvando” a pátria. Claro que essa falta de apoio sempre existiu, mas antes, atletas amadores - a maioria ainda desconhecidos -, eram líderes no ranking dos "paitrocinados". Ver campeões olímpicos sofrendo desse mal, me deixa preocupada com o rumo do esporte brasileiro. Principalmente porque nossos cartolas - sempre eles - estão querendo trazer a Olimpíada de 2016 para o Rio de Janeiro. Fico me perguntando: como um país que não consegue apoiar seus atletas pode querer ser sede do evento esportivo mais importante do mundo? É para rir, não é mesmo?Antes de qualquer coisa, quero deixar claro que apoio toda e qualquer campanha ao esporte, mas desde que tenha condição para tal. O que não parece ser o caso do Brasil. Não só esportivamente falando, como na questão da segurança pública também. O curioso é que o “slogan” da campanha Rio 2016 dá ênfase na alegria do povo brasileiro, mas hoje, viver de esporte no Brasil, só rindo mesmo...para não chorar.